Contos Assustadores
Por
Gustavo José
A aliança de casamento
Alan e Kate foram desafiados a passar uma noite em uma casa mal-assombrada. Como eram entusiastas de fantasmas, aceitaram prontamente o desafio de vivenciar algo assustador. Alan estava apaixonado por Kate e viu nisso a oportunidade perfeita para pedi-la em casamento.
Quando a noite chegou, ambos se aconchegaram para dormir. Alan foi para o sótão e Kate para a sala dos fundos do prédio. "Vou esperar uma hora, depois desço e faço o pedido", pensou Alan, confiante de que ela diria sim. Afinal, eles se conheciam há bastante tempo e sabiam praticamente tudo um sobre o outro. Mal havia passado meia hora quando Alan ouviu passos se aproximando. "Será que é a Kate?", pensou ele, "ou será que...?" Alan se sentou, pronto para quem quer que fosse. A porta se abriu lentamente e, por causa da escuridão, ele só conseguiu distinguir uma sombra: a sombra de uma mulher. "Oh, Kate, é você. O que houve? Está com medo?" Não houve resposta. "Está tudo bem", disse Alan. "Você pode ficar comigo." Ela caminhou até ele e sentou-se ao seu lado. Ele a abraçou; ela estava fria ao toque. Alan estremeceu. "Meu Deus, você deve estar congelando. Vem cá, se agasalha comigo." Ele os envolveu com o cobertor. Após um breve momento, ele reuniu coragem e disse: "Ei, Kate, tenho algo importante para te perguntar", tirando um elegante anel do bolso e colocando-o em seu dedo. "Você quer casar comigo?", perguntou, tentando parecer o mais romântico possível.
Ela começou a chorar e, num instante, saiu correndo do quarto. Alan não entendeu o que tinha feito de errado, então correu atrás dela, mas ela havia desaparecido. "Talvez ela tenha voltado para onde estava dormindo", pensou ele, e foi até a sala dos fundos. Quando chegou lá, encontrou Kate dormindo profundamente, então a acordou aos trancos e barrancos. Ela esfregou os olhos e perguntou: "O que foi?". "Desculpe se te incomodei", respondeu ele.
“Do que você está falando…?” Kate começou, mas foi interrompida pelo som de choro vindo das paredes. Alan e Kate se entreolharam. “De onde vem isso?” perguntou Kate. “Parece vir do porão.” Ambos foram até a porta do porão; o choro estava mais alto do que nunca. Após alguns instantes de hesitação, Alan alcançou a maçaneta e abriu a porta. O que encontraram os chocou: em um canto de onde vinha o choro, estava o esqueleto em decomposição de uma jovem mulher, com uma elegante aliança de casamento no dedo.
O Crucifixo
Certa noite, durante uma forte tempestade, um viajante buscou abrigo em uma velha igreja abandonada. Ele entreabriu as pesadas portas de carvalho e entrou, aliviado por estar agora em um lugar seco. Sentou-se em um banco vazio e se acomodou. Quando estava quase adormecendo, um padre surgiu do fundo da igreja como que do nada. O homem deu um pulo ao vê-lo: "Desculpe, pensei que não houvesse ninguém aqui", disse. O padre não respondeu, apenas encarou o homem, depois ergueu um dedo ossudo e apontou para o altar. Acima dele, pendia um grande crucifixo de madeira com a figura de Jesus. Para horror do homem, sangue começou a jorrar das mãos e da cabeça da figura, um fiozinho a princípio, mas logo o fluxo aumentou, espalhando-se pelo chão e manchando-o de vermelho. Após um momento de hesitação, o homem saltou do banco e correu para a porta, enquanto o padre ria maniacamente atrás dele. Ao chegar à porta, ele deu uma última olhada para trás para ver se o padre o estava seguindo e viu seu próprio corpo pendurado na cruz.
Seja nosso convidado
Certa noite, uma mulher estava arrumando a mesa para o jantar quando seu marido voltou com um homem estranho. Ele era alto, magro e tinha o rosto mortalmente pálido. "Este homem me ajudou a encontrar o caminho de casa quando me perdi na floresta", disse o marido. "Convidei-o para passar a noite conosco em agradecimento."
A esposa ficou um pouco contrariada, mas não se importou muito. "De qualquer forma, fiz bastante para todos nós. Vou buscar o Hostig", disse ela, saindo da sala. "Meu filho...", disse o marido ao estranho com orgulho, "...tem apenas 4 anos, mas já é igualzinho ao pai." Todos se sentaram para comer. A refeição era simples, mas farta. A esposa era conhecida na região como uma cozinheira incrível, mas o rosto do estranho não se iluminou nem uma vez. Mesmo tendo comido até o último pedaço, parecia que ele não estava gostando.
"Perdoe-me", disse ele, "foi um dia longo para mim, você poderia me mostrar onde poderei descansar esta noite?"
O marido se levantou. "Claro, pode ficar com o quarto de hóspedes", respondeu, enquanto conduzia o estranho para fora do quarto. Pouco depois, o resto da família se recolheu aos seus quartos e não ouviu mais nada pelo resto da noite.
Ao amanhecer, o marido foi verificar como estava seu hóspede, mas encontrou o quarto vazio. "Hum, talvez ele já tenha ido embora, um pouco ingrato, mas tudo bem", pensou ele enquanto ia para a sala de jantar tomar o café da manhã. O que viu ao chegar lá o marcou para sempre: sua esposa e seu filho jaziam mortos no chão, com as gargantas dilaceradas. Perto da porta, onde a luz do sol invadia a cena macabra, havia um monte de cinzas com um crânio aninhado entre elas, suas longas presas brancas ainda úmidas de sangue.
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