Depressão e vício em smartphones: cientistas já estabeleceram o que vem primeiro
Por
Gustavo José
Ficar constantemente "grudado" na tela do smartphone provoca o desenvolvimento de sintomas depressivos.
Muitos estudos mostram uma ligação entre o vício em gadgets e os sintomas de depressão. No entanto, não está claro o que acontece primeiro: a depressão implica dependência de um smartphone ou, inversamente, o excesso de "grudar" no celular contribui para o desenvolvimento do transtorno. Um artigo publicado no Journal of Adolescent Health responde a essa pergunta.
Cientistas da Universidade do Arizona realizaram um estudo com 346 jovens entre 18 e 20 anos, durante o qual descobriram o que vem primeiro. "A principal conclusão é que o vício em smartphones prevê diretamente os sintomas subsequentes de depressão", diz o chefe da equipe de pesquisa, Matthew Lapierre. "É um grande problema quando as pessoas dependem demais de um dispositivo, se preocupam se não o têm à mão e usam um smartphone em detrimento do dia a dia."
Os pesquisadores mediram o grau de dependência do aparelho usando um questionário. Os participantes foram convidados a avaliar afirmações como "Eu entro em pânico quando não consigo usar meu smartphone" em uma escala de quatro pontos, dependendo de quão verdadeiras são ou não para cada pessoa em particular. Os participantes do estudo também responderam perguntas usadas para avaliar sintomas depressivos e a intensidade do uso diário do smartphone. A pesquisa foi realizada duas vezes, com intervalos de 2,5 a 3 meses.
Os cientistas selecionaram propositalmente pessoas em uma faixa etária relativamente restrita para o estudo. A escolha se deve ao fato de que a geração de jovens de 18 a 20 anos literalmente "cresceu usando smartphones", e agora esses jovens estão em uma fase de transição da vida, onde sua saúde psicológica e mental está vulnerável. "Na adolescência mais avançada, é mais fácil se tornar viciado em um smartphone, e um smartphone pode afetá-los (pessoas de 18 a 20 anos. — Ed.) um impacto negativo maior, pois já são muito vulneráveis à depressão", explica Zhao Pengfei, coautor do estudo.
Levando em conta todas as possíveis consequências negativas do uso de smartphones, os pesquisadores recomendam reconsiderar sua atitude em relação a esses dispositivos e limitar conscientemente o tempo de interação com os dispositivos. "Quando as pessoas estão estressadas, devem usar abordagens mais saudáveis [do que se retirar para o mundo virtual] — por exemplo, conversar com amigos para apoio, fazer exercícios ou meditar", conclui Pengfei.
Aliás, a depressão também pode ser útil: por exemplo, pacientes com depressão clínica conseguem reconhecer melhor objetivos inalcançáveis e abandoná-los com mais facilidade.
E cientistas do Canadá identificaram um efeito colateral inesperado da depressão: ela provoca o desenvolvimento da artrite psoriásica.
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