Um estudo sugeriu por que sinais alienígenas podiam passar despercebidos

Por Gustavo José
Por décadas, cientistas têm vasculhado o céu em busca de sinais de tecnologia extraterrestre. Desde o primeiro experimento SETI em 1960, astrônomos vêm sondando a Via Láctea em busca de ondas de rádio, erupções ópticas e assinaturas térmicas infravermelhas que possam denunciar a presença de civilizações avançadas. Até agora, essas buscas não renderam resultados confirmados. Esse silêncio cósmico é frequentemente explicado pelo fato de que a humanidade estudou apenas uma pequena parte do universo. Mas e se os sinais chegassem ao nosso planeta, simplesmente não fossem notados?

Um novo estudo liderado pelo físico teórico Claudio Grimaldi, da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL), publicado no The Astronomical Journal, desafia essa suposição. Grimaldi partiu para descobrir o que a presença de contatos não registrados no passado significaria para a busca moderna por inteligência extraterrestre.

Em seu trabalho, o cientista modela tecnoassinaturas — quaisquer sinais mensuráveis ou vestígios físicos que indiquem a existência de tecnologias avançadas. Essas podem ser transmissões de rádio artificiais, flashes de laser ou calor excessivo de projetos de engenharia em grande escala. Para que tal sinal seja detectado, duas condições são necessárias: ele deve atingir fisicamente a Terra, e nossos instrumentos devem ser suficientemente sensíveis, corretamente direcionados e capazes de distingui-lo de fenômenos naturais. Um sinal pode atender à primeira condição, mas falhar na segunda, sendo muito fraco, curto ou abafado em ruído de fundo.

Usando uma abordagem estatística bayesiana, Grimaldi ligou três fatores: o número de contatos hipotéticos com a Terra no passado, a vida útil típica das tecnoassinaturas e a distância com que instrumentos atuais ou próximos conseguem detectá-los. Ele analisou tanto sinais omnidirecionais (como calor dissipado de estruturas gigantes) quanto sinais de foco estreito (como faróis a laser).

Os resultados do estudo lançaram dúvidas sobre a visão otimista predominante sobre o problema. Aconteceu que, para ter uma alta probabilidade de detectar tecnoassinaturas a poucas centenas ou até milhares de anos-luz da Terra hoje, é necessário que um enorme número de sinais tenha passado pelo nosso planeta sem ser detectado no passado. Em muitos cenários, esse número se torna implausivelmente grande, às vezes excedendo o número de planetas potencialmente habitáveis nesta região da galáxia, tornando tais cenários extremamente improváveis.

A situação só muda quando a área de busca é estendida para distâncias muito maiores. Se as tecnoassinaturas existem há muito tempo e são amplamente difundidas na Via Láctea, sua detecção se torna mais provável a distâncias de vários milhares de anos-luz ou mais. Mas mesmo assim, a qualquer momento, não se pode esperar mais do que alguns sinais detectáveis em toda a galáxia.

O trabalho de Grimaldi sugere que só porque sinais podem ter passado despercebidos no passado, não significa que detectá-los seja algo de amanhã. Se a tecnologia extraterrestre existir e já esteve em contato com a Terra, provavelmente será rara, distante ou há muito tempo, em vez de estar localizada na vizinhança e não se manifestar frequentemente. Isso muda a busca de esperar por um sinal óbvio para um esforço paciente e de longo prazo, e fortalece o argumento para levantamentos profundos e amplos que escaneiem vastas áreas da Via Láctea, não apenas nosso bairro cósmico.