O Projeto Abigail

Por Gustavo José
Tudo começa em 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos estavam desesperados para ganhar vantagem sobre os nazistas e, mais tarde, sobre os soviéticos na Guerra Fria. A Área 51 — na época chamada de Campo Auxiliar de Indian Springs, no deserto de Nevada — era uma base secreta para testes militares ultraconfidenciais. Lá trabalhava um cientista brilhante e obcecado chamado Albert Western. Ele era um gênio da biologia e da engenharia genética, inspirado em ideias como o soro do super-soldado que criou o Capitão América nos quadrinhos.

Albert sonhava em criar o "soldado perfeito": alguém com força sobre-humana, resistência à dor, regeneração rápida e quase imortalidade. Para isso, ele precisava de um voluntário saudável, de total confiança, porque o experimento envolvia modificações radicais no DNA, cirurgias invasivas, injeções de substâncias químicas e exposição a radiação. Ele pediu voluntários entre soldados e prisioneiros, mas ninguém topava — era arriscado demais, e o risco de vazar segredos para inimigos era alto. Depois de muita reflexão, Albert tomou uma decisão monstruosa: usar sua própria filha, Abigail Western.

Abigail era uma jovem de uns 20 anos, estudante universitária de ciências, bonita, obediente e cheia de admiração pelo pai. Ela queria seguir os passos dele e trabalhar na base. Albert a convenceu dizendo que era pelo bem do país, que ela seria uma heroína e que o processo seria reversível. Em 1945, logo após o fim da guerra, o "Projeto Abigail" começou oficialmente. Abigail foi isolada em uma ala secreta da base e submetida a uma série de procedimentos horrendos: implantes cibernéticos, mutilações cirúrgicas, drogas experimentais, torturas elétricas e exposição prolongada a radiação gama. Os colegas de Albert avisaram que era perigoso, mas ele ignorou, convencido de que funcionaria.

No começo, tudo parecia promissor. Abigail ganhou força e resistência incríveis — ela podia levantar pesos impossíveis e se recuperar de ferimentos rápidos. Mas logo as coisas deram errado. Depois de semanas de experimentos, mudanças horríveis começaram a aparecer:

- Seus cabelos caíam aos tufos, deixando-a careca e com o couro cabeludo marcado por cicatrizes.
- Seus dentes cresceram de forma descomunal, como presas de animal, rasgando as gengivas e causando sangramentos constantes.
- A pele enrugou e esticou de forma grotesca, como se o corpo estivesse envelhecendo acelerado ou mutando.
- Seus ossos se alongaram desproporcionalmente: ela cresceu para quase 3 metros de altura, com membros finos e ossudos, cobertos por uma pele fina e translúcida que mal escondia as veias pulsantes.
- Sua mente começou a se deteriorar. Abigail perdeu a racionalidade, tornando-se agressiva e instintiva, como um animal selvagem. Ela rugia, arranhava as paredes da cela e pedia comida de forma desesperada, mas não mais como uma pessoa — era fome primal.

Os colegas de Albert imploraram para parar o projeto. "Isso é um fracasso! Ela está virando um monstro!", diziam. Mas Albert, cego pela ambição, continuou. Ele acreditava que poderia reverter os efeitos. Dois anos se passaram, e Abigail estava irreconhecível: uma criatura humanoide gigante, com unhas afiadas como garras, olhos injetados e uma fome insaciável. Ela media 3 metros, pesava pouco por causa da pele esticada, e só pensava em sobreviver. O projeto, que deveria criar um herói, havia criado uma aberração.

Em 1947, Albert finalmente percebeu o horror do que fez. Sua filha amada agora o via apenas como comida. Arrasado, ele cometeu suicídio, mas antes deixou uma carta desesperada para os superiores: "Por favor, salvem minha filha. Não a matem. Tentem trazê-la de volta". O governo americano, sem interesse em gastar mais dinheiro com um fracasso, decidiu selar o destino de Abigail. Eles a trancaram em uma cela reforçada no subsolo da Área 51, com ordens para alimentá-la com grandes quantidades de carne crua e água todos os dias. Mas, para "resolver" o problema sem assassinato direto, pararam de alimentá-la aos poucos, esperando que a fome a matasse.

Uma noite, enfraquecida pela fome mas enlouquecida pela raiva, Abigail escapou. Ela matou dois guardas com garras e dentes, rasgando-os como se fossem presas. O alarme tocou, e o exército evacuou a área inteira. Para conter o pânico, selaram a seção com concreto e aço, transformando-a em uma prisão eterna. Dizem que, naquela noite, ecos de gritos ecoaram pela base — gemidos de dor e fome que soavam quase humanos.

O Projeto Abigail foi declarado encerrado, e todos os arquivos foram destruídos para encobrir o escândalo. Mas a lenda não parou aí. Ex-militares que serviram na Área 51 juram que, até hoje (mais de 70 anos depois), é possível ouvir gritos abafados vindos do subsolo isolado. Alguns dizem que Abigail ainda está viva, alimentando-se de ratos ou de restos que caem pelas fendas, imortal graças às mutações. Outros acreditam que ela morreu de fome, mas seu espírito assombra a base. É por isso, segundo a creepypasta, que o governo protege a Área 51 com tanto zelo — não por OVNIs, mas para esconder o monstro que criaram.

O Projeto Abigail é uma das histórias de terror mais populares e aterrorizantes ligadas à Área 51. Lembre-se, isso é pura ficção — uma creepypasta criada para dar arrepios, inspirada em teorias conspiratórias sobre experimentos secretos do governo americano. Ela surgiu por volta de 2018 em canais de YouTube como "Creepypastas Everywhere" e se espalhou como vírus pela internet. Não há provas reais de que isso tenha acontecido; é só uma lenda urbana moderna.