O caso Richard Chase

Por Gustavo José
O caso Richard Chase é um daqueles episódios reais que parecem saídos de um pesadelo grotesco, mas que aconteceram à luz do dia, em bairros comuns, entre casas aparentemente normais. Ele entrou para a história criminal dos Estados Unidos como o “Vampiro de Sacramento”, um apelido que mistura sensacionalismo com um horror difícil de encarar.

A onda de assassinatos de Richard Chase lhe rendeu o apelido de "O Vampiro de Sacramento".

Richard Trenton Chase nasceu em 1950, na Califórnia, e desde a adolescência apresentava sinais claros de graves distúrbios mentais. Relatos posteriores indicam paranoia intensa, delírios envolvendo conspirações e uma obsessão com a própria saúde. Ele acreditava que seu coração encolhia, que seu sangue estava virando pó e que forças externas manipulavam seu corpo. Não eram metáforas — eram convicções absolutas dentro de sua mente fragmentada.

Antes mesmo dos assassinatos que o tornariam conhecido nacionalmente, Chase já demonstrava comportamentos profundamente perturbadores. Ele torturava e matava animais, bebendo seu sangue numa tentativa de “evitar que seu corpo secasse por dentro”. Em determinado momento, foi internado em instituições psiquiátricas, onde recebeu diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Chegou a ser medicado e considerado relativamente estável, mas acabou liberado. A decisão, vista anos depois, seria alvo de severas críticas.

Entre o fim de 1977 e o início de 1978, na cidade de Sacramento, Chase iniciou uma sequência de crimes que chocou até investigadores experientes. Diferente de muitos assassinos em série que escolhem vítimas específicas ou seguem um padrão elaborado, ele parecia agir de maneira caótica. Entrava em casas destrancadas — segundo ele, portas abertas eram um “convite”. Se a porta estivesse trancada, simplesmente ia embora.

Suas invasões culminaram em assassinatos brutais. No total, seis pessoas foram mortas. As cenas dos crimes eram descritas como extremamente violentas e perturbadoras, envolvendo mutilação e consumo de sangue. Para Chase, aquilo não era sadismo no sentido clássico, mas uma tentativa delirante de sobreviver. Ele acreditava literalmente que precisava ingerir sangue para continuar vivo.

O caso ganhou repercussão nacional, e a imprensa rapidamente explorou o apelido “Vampiro de Sacramento”, reforçando o pânico coletivo. A população passou a trancar portas e janelas com uma paranoia compreensível. O medo não era apenas de um assassino — era de alguém que parecia agir fora de qualquer lógica compreensível.

Richard Chase chegando em seu julgamento.

A prisão ocorreu em janeiro de 1978. A polícia conseguiu ligar evidências físicas encontradas nas cenas dos crimes ao apartamento de Chase. Dentro do local, encontraram um cenário igualmente perturbador, com indícios de sangue armazenado e sinais claros de delírios materializados no ambiente.

Durante o julgamento, a questão central foi sua sanidade mental. A defesa alegou insanidade, argumentando que ele não compreendia a natureza de seus atos. A acusação, por outro lado, sustentou que, apesar dos transtornos mentais, ele sabia que o que fazia era errado — especialmente porque tomava medidas para evitar ser pego.

Ele foi condenado à pena de morte na Califórnia. No entanto, antes que a sentença fosse executada, em 1980, Richard Chase foi encontrado morto em sua cela, vítima de overdose de antidepressivos que havia acumulado sem ingerir. A conclusão oficial foi suicídio.

O caso permanece como um exemplo extremo da interseção entre doença mental grave e violência. Também levanta debates incômodos: até que ponto o sistema de saúde falhou? A liberação de alguém com histórico psiquiátrico tão severo foi negligência? Ou estamos diante de um caso em que, mesmo com tratamento, o desfecho poderia ter sido o mesmo?

Para estudiosos de criminologia e psiquiatria forense, o nome Richard Chase não é apenas sinônimo de horror, mas um estudo sombrio sobre delírio psicótico, falhas institucionais e o limite tênue entre responsabilidade criminal e incapacidade mental.