O Manuscrito Voynich: o livro que zomba da humanidade há mais de 600 anos

Por Gustavo José
Você já abriu um livro e sentiu que ele está rindo da sua cara?

Imagine um volume de cerca de 240 páginas, escrito em uma caligrafia elegante e fluida… mas em nenhuma língua conhecida. Ilustrações coloridas de plantas que nunca existiram na Terra, diagramas astronômicos que não batem com nenhum céu que conhecemos, figuras nuas em banheiras conectadas por tubos esverdeados, rodelas cheias de estrelas e símbolos que parecem ao mesmo tempo infantis e profundamente codificados.


Esse objeto real existe. Chama-se Manuscrito Voynich, está guardado na Biblioteca Beinecke da Universidade Yale, e até hoje — em pleno 2026 — ninguém conseguiu ler uma única frase com certeza.

A história de um enigma que não quer ser resolvido

O livro aparece pela primeira vez em 1912, quando o antiquário polonês Wilfrid Voynich o compra de um mosteiro jesuíta na Itália. Mas ele já era antigo nessa época: datações por carbono-14 colocam o pergaminho entre 1404 e 1438.

Desde então, passou por mãos de imperadores (Rudolfo II acreditava que era obra de Roger Bacon), criptógrafos da Segunda Guerra Mundial, especialistas em IA moderna e até programas de inteligência artificial treinados especificamente para línguas artificiais ou perdidas. Resultado? Zero. Nenhum consenso.

O alfabeto Voynich (carinhosamente chamado de "voynichês") tem entre 20 e 30 caracteres próprios, escritos da esquerda para a direita, com pontuação estranha e sem espaços claros entre algumas palavras. As estatísticas linguísticas são perturbadoras: o texto segue leis de Zipf (como línguas reais), tem entropia semelhante ao latim medieval ou ao italiano antigo… mas não corresponde a nenhum idioma conhecido, nem a cifra simples, nem a hoax óbvio.

As teorias mais intrigantes (e as mais loucas)

1. É um tratado herbal de plantas inexistentes

Muitos acreditam que seja um herbário medieval de plantas medicinais de algum lugar remoto (Américas? Ásia Central?). O problema: nenhuma planta desenhada existe na botânica real. Algumas lembram espécies conhecidas, mas sempre com detalhes errados ou impossíveis.

2. Uma língua artificial ou código filosófico 

Alguns pesquisadores defendem que é uma "língua filosófica" criada por um humanista renascentista, como uma versão medieval de esperanto esotérico. Outros acham que é um código de alquimistas para esconder receitas perigosas.

3. Um dos maiores trotes da história

A teoria mais cruel: alguém gastou anos criando um livro sem sentido só para trollar o futuro. Mas aí vem o detalhe incômodo: por que alguém no século XV faria um trabalho tão caro (pergaminho de vitela, pigmentos importados, centenas de desenhos) só para uma piada que ninguém entenderia por séculos?

4. Mensagem de outra dimensão (ou viagem no tempo) 

Ok, essa é a parte divertida do fórum de madrugada. Alguns dizem que as ilustrações de "banheiras conectadas" lembram diagramas de física quântica ou biologia celular. Coincidência? Provavelmente. Mas assusta pensar.

O que a ciência tentou (e falhou) em 2025–2026

Nos últimos anos, modelos de IA de linguagem (incluindo versões avançadas de 2025) tentaram decifrar o Voynich como se fosse uma cifra de substituição polialfabética, uma língua perdida ou até um proto-romance. Resultado: frases que parecem fazer sentido por 2–3 palavras… e depois viram sopa de letras sem lógica.

Em 2025, um paper controverso afirmou ter encontrado padrões que sugerem hebraico codificado com anagramas. A comunidade acadêmica detonou a ideia em semanas. O manuscrito continua rindo.

Por que ele ainda nos perturba?

Porque o Voynich não é só um enigma criptográfico. É um lembrete de que a mente humana pode criar algo tão complexo e bonito que escapa até da nossa tecnologia mais avançada. É um pedaço de passado que se recusa a ser colonizado pelo presente.

Enquanto você lê isso, o livro está lá, em uma vitrine climatizada, esperando alguém (ou algo) que finalmente entenda o que ele quer dizer.

Ou talvez ele só queira continuar nos fazendo de bobos.

E você, acredita que um dia vamos decifrá-lo? Ou acha que o Voynich venceu para sempre?